- Onde você conseguiu isso? - perguntou Ely incrédula.
- Lembra do último infectado que vimos morto em Salt Lake City? - Lewis perguntou. Seu olhar era penetrante, parecia que nunca iria piscar. Ely mantinha a seriedade, apesar do profundo medo. - Pois é - ele continuou. - Se vocês, fracotes, não tivessem tanto medo de chegar perto de um infectado, achariam coisas bem interessantes nos bolsos deles - disse girando a arma para que Ely a admirasse.
- Você é muito nojento - Ely disse calmamente.
- Cale essa boca! - gritou ferozmente. Logo após, acalmou-se subitamente e continuou a provocar. - Experimente pegar alguma coisa, qualquer coisa, e não dividir, e eu juro que dou um tiro no meio de sua cabeça.
Ely sentia muito medo. Sabia que Lewis estava louco. De qualquer modo, ela continuou:
- Sério? - debochou. - E quem você pensa que é para apontar uma arma para minha cabeça e dizer que vai me matar?
- Sua... - ele não continuou. Ao invés disso, destravou a arma e estava prestes a atirar, quando um imprevisto aconteceu.
Tudo ocorreu com extrema velocidade, Ely mal conseguira acompanhar. No momento em que Lewis iria apertar o gatilho, Tony surgiu de trás de uma árvore e, com uma faca, atingiu a parte de trás do crânio de Lewis. Este, logo jazia inerte no chão. Tony olhava profundamente para Ely, com um notável rancor na expressão.
- Infectado - disse ele calmamente. Tony virou-se e se afastou sem dizer mais nada.
- Como você sabe? - Ely perguntou, mas não teve resposta.
Vários pensamentos perturbavam Ely à noite. Passara o resto do dia com Joseph, que gemia e se contorcia de dor. O coração de Ely quebrava cada vez mais ao presenciar aquela cena. Agora, estava novamente deitada com seu cobertor, pensando sobre seu maçante dia. Ninguém se encontrava em condições de continuar - todos estavam em choque com o ocorrido a Joseph - . Mesmo em seis meses de sobrevivência, poucas pessoas do grupo presenciaram uma cena de tamanha violência. Depois que a praga tomou conta do mundo, a vida das pessoas pode-se resumir em viajar a procura de um refúgio seguro - ninguém sabia o que os infectados poderiam fazer - . Todas as cidades - nas quais o grupo se deslocara - encontravam-se desertas, com exceção dos poucos infectados e mortos pelo chão.
Havia algo que a todos apavoravam a noite: sons horríveis - vindos à distância - , de centenas de infectados gemendo e chorando. Pareciam mais ativos à noite. Eles estavam perto agora, vagando pelas ruas. Recém infectados não representavam grande perigo, mas eram extremamente aterrorizantes. Tinham de sair logo daquele mercado, Ely pensava, mas Joseph encontrava-se muito ferido, e ela estaria ali para ajudá-lo.
Ely, no momento, apenas se preocupava com os sons. Sons que estavam cada vez mais perto.
O dia seguinte transcorreu lentamente. Ely e Zoe cuidavam dos ferimentos de Joseph e o ajudavam a comer, enquanto o resto do grupo tentava puxar gasolina dos carros para usarem em um deles. Quando todos se reuniram para comerem alguns enlatados, o clima ficara realmente tenso. Tony não conversara com ninguém durante o dia todo. Jonathan quebrou o silêncio:
- Acho que progredimos hoje - disse ele, com um meio sorriso no rosto.
- Conseguimos gasolina o suficiente para seguirmos até Canon City.
Todos o observaram de cabeça baixa, e logo desviaram os olhares novamente para seus enlatados. O céu escurecera rapidamente. O interior do mercado era pusilanimemente iluminado pela luz da lua, que penetrava pelos vãos entre as telhas quebradas.
Todos mantinham-se em silêncio, quando barulhos altos e tortuosos invadiram a calma temporária.
Ely e Zoe correram para o exterior no mercado e paralisaram-se com o que viram: dezenas de infectados se aproximavam rapidamente, gemendo e gritando.
- Ah não. Não, não, não, não não - Zoe disse repetidamente. - Estamos todos ferrados! Esses são os infectados de grau avançado!

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