segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Capítulo 12

 - Joseph! - disse Ely alarmada. - Joseph, meu Deus! Você ouviu isso? 
 Joseph estava estupefato, com uma visível expressão de espanto.
 - Mas... - ele começou - não falaram o nome da sua mãe, falaram? 
 - Eu... - ela gaguejava - eu não ouvi! Talvez a transmissão tivesse falhado na hora... sei lá!
 - A gente vai pra lá? Tipo... agora? - Joseph mantinha a expressão de horror, enquanto falava com voz rouca. 
 - Eu... eu vou falar com a Zoe agora! - disse Ely em alto tom de voz, enquanto abria a porta e saía do carro rapidamente. - Precisamos ir lá! Precisamos agora!
 Ely correu até a farmácia, à procura de Zoe. Acidentalmente, ela esbarrou em Heliot, que analisou sua expressão preocupado e perguntou:
 - Ei... o que aconteceu? - ele segurava fortemente os braços dela. - Acalme-se, acalme-se! Viu algum infectado?
 - Não... - ela tentava dizer, ofegante - eu... preciso... Zoe, onde ela está?
 - Está no fim do corredor - disse Heliot, apontando para o local. 
 No mesmo momento, Ely desvencilhou-se dos braços do homem e correu para o fundo da farmácia, no qual encontrava-se Zoe. Ela corria rapidamente, com cuidado para não cair no chão escorregadio.
 Quando chegou perto de Zoe, esta virou e analisou preocupada a expressão de Ely, enquanto com uma das mãos, segurava um pequeno frasco de remédio. 
 - Zoe... - começou Ely, enquanto recuperava a respiração regular. 
 - O que foi? - Zoe perguntou com uma expressão ansiosa.
 - Eu... preciso ir... preciso ir para Washington... minha irmã... talvez minha mãe também...
 - O que? Elas estão lá? - Zoe perguntou.
 - Sim... acho que sim... - Ely apoiava as mãos nos joelhos, recuperando respiração e um tanto de calma. Nesses momentos, ela pensava, a asma era um sério problema na sua vida. Corria um pouco e logo estava entregue à falta de ar.
 - Han... Vamos lá fora. Eu te dou um pouco de água e você me conta melhor essa história.

 Elas estavam no chão à frente da farmácia. Ely olhava para um ponto fixo no chão, enquanto tomava lentamente um pouco de água de uma garrafa suja e amassada. Zoe, ao seu lado, mantinha as mãos nos ombros de Ely, tentando acalmá-la. 
 - Então... me conte... o que aconteceu? - Zoe perguntou, ainda com expressão preocupada.
 - Bem... - Ely começou - eu estava na van... Tentei ligar o rádio, que não funcionou. Só que... depois de um tempo, eu ouvi uma voz falhada vinda do rádio. Era uma transmissão. Estava falando sobre um refúgio seguro em Washington. Citava os nomes dos refugiados e, depois de vários nomes, eu ouvi... eu sei que eu ouvi. Joseph também ouviu. Ele falou "Molly Cooper" - Ely olhou profundamente para Zoe. - Eu preciso ir lá. Preciso ver minha irmã! Abraçar ela e, depois de tanto tempo, lembrar qual a sensação de estar com um familiar. Desfrutar de uma temporária felicidade! É só o que eu preciso! - Ely caíra em lágrimas.
 - Bem... - Zoe desviara o olhar e o direcionara à um ponto fixo no chão - se você quiser ir... Tudo bem. Mas tem certeza? Tem certeza de que vale a pena arriscar sua vida para ir a um lugar, no qual você não tem certeza de que sua mãe e irmã estão? Talvez essa transmissão seja antiga - ela direcionou o olhar para Ely novamente. - Eu não quero acabar com suas esperanças, mas é assim que funciona, sabe? Não podemos esperar demais. Talvez nós sejamos sua família agora.
 - Elas estão lá - Ely mantinha uma séria expressão. 
 Zoe não disse nada, apenas desviou o olhar novamente. Ely, agora irritada, levantou-se e se encaminhou para longe da farmácia. Ela sentia Joseph a observando pela janela da van. 
 Parou depois de estar pelo menos trinta metros de distância do local. Encostou-se em uma árvore e inspirou profundamente.
 - Eu preciso encontrar elas... - Ely dizia para si mesma - preciso encontrar elas... preciso encontrar elas... preciso encon...
 Suas palavras foram abafadas. Alguém a agarrou furtivamente e pressionou fortemente um pano contra suas vias respiratórias. Ela tentava de tudo para se desvincilhar, mas a pessoa que a segurava era realmente forte. Logo ela perdera suas forças. Não era mais capaz de lutar. 
 Ely entregou-se ao sono profundo que a aguardava.

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