sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Capítulo 4

  Memórias de Ely - parte I

 Ela e sua mãe estavam fazendo biscoitos e conversando descontraidamente.
 - Eu quero provar um! - disse a irmã de Ely, que se aproximara correndo. Acidentalmente, ela escorrega na mesa e derruba uma tigela vazia no chão. Por sorte, pensou Ely, a tigela era de plástico.
 - Molly! Comporte-se! - advertiu a Sra. Cooper, jogando alguns fios de cabelos -  que soltaram-se de seu coque - para trás. - Os biscoitos ainda não estão prontos. Vá fazer suas lições de casa! Ely, deixe que assumo a tarefa sozinha.
 Ely encaminhou-se para seu quarto. Era um quarto bagunçado, com diversos pôsteres cobrindo as paredes - um típico quarto de uma garota de quinze anos. 
 Passara-se meia hora. Ely ouvia músicas com seus fones de ouvido e folheava uma revista sobre sua banda favorita. Estava entediada, girando sua cadeira para lá e para cá. Essas, pensava ela, eram as férias mais tediosas de sua vida. Estava olhando para um ponto fixo no chão, quando de repente, percebeu uma movimentação do lado de fora de sua casa. Tirou os fones e colocou-os na escrivaninha à sua frente. Levantou-se e se encaminhou para a janela do seu quarto. Então, ela viu uma cena de cortar o coração. Logo afogou-se com suas próprias lágrimas. Havia uma viatura policial estacionada à frente de sua casa. Um policial conhecido dava a notícia à sua mãe, que jogara-se no chão e gritava. Molly chorava ao seu lado.
 Ely sabia que sua família nunca mais seria a mesma. Seu pai - um policial civil - morrera baleado no peito.

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