Quando Ely acordou no dia seguinte, todos já estavam de pé, preparando-se para mais um longo e tortuoso dia. O céu estava nublado, com enormes nuvens cinzas escuras. Uma fraca luz iluminava o interior do mercado - tanto que Ely semicerrava seus olhos para poder enxergar melhor. Joseph se aproximava carregando algo que Ely não conseguia identificar - seus olhos ainda não se acostumaram com o misto de claridade e escuridão.
- Bom dia - disse ele. - Aqui, pegue um - e atirou para Ely uma das coisas que segurava. Logo sentou-se ao seu lado.
Ely analisou o produto. Era um pequeno pacote de biscoitos, como os que sua mãe fazia. Ao pensar nisso, desmoronou em uma profunda tristeza.
- Não vai comer? - perguntou Joseph impaciente.
- Vou - disse Ely, acordando de seu devaneio. - Eu só estava...
Ela não completou a frase. Apenas abriu a embalagem e comeu o primeiro biscoito. Uma explosão de sabores a dominou ao dar a primeira mordida. Há quanto tempo não comia algo tão bom? Nem ela lembrava, apenas apreciava o curto momento de prazer. Logo esvaziara completamente o pacote.
- Você tem sorte - comentou Joseph, olhando para Ely. - Esse é um dos poucos pacotes que sobraram aqui. Quando Tony estava distraído, peguei os únicos quatro pacotes. Dei os outros dois para Zoe e Jonathan. Eles são legais.
- É - Ely concordou enquanto se levantava. - Bem, está na hora de agir.
Ely e Joseph seguiram em direções opostas do mercado. Ely procurava em cada prateleira algo que pudesse lhe ser útil. Primeiro, foi até a seção de higiene. Pegou alguns rolos de papel higiênico - não muitos, pois precisava de espaço na mochila para os alimentos - , alguns pacotes de absorventes e dois sabonetes. Logo após, partiu para outra seção.
A seção na qual haviam alimentos embalados estava quase vazia. Ely pegava alguns pequenos pacotes de biscoitos quando ouviu um estrondo. Ela correu para o local de origem do som e ficou paralisada com o que viu.
Joseph estava caído junto a prateleiras quebradas. Sangue cobria seu rosto. Gemia de dor. Alguém estava à sua frente, gritando e chutando-o. Várias pessoas gritavam, choravam e pediam para que o homem parasse.
Era Tony. Ele descobrira o que Joseph pretendia fazer.

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