terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Capítulo 14

 Ely não sabia no que pensar, muito menos no que dizer. Como era possível seres humanos fazerem uma coisa dessas? Depois de alguns segundos, o homem continuou:
 - Bom, essas são as novidades. Nenhuma reação? - ele levantou as sobrancelhas, em uma expressão de indiferença.
 - O que você quer que eu diga? - Ely finalmente perguntou. - Tudo bem, eu vou dar cada pedaço do meu corpo para seu amiguinho infectado com todo prazer - a raiva a dominava, era impossível conte-la. 
 - Bom, moça, eu realmente não queria te sequestrar, nem nada do tipo, sabe? - ele olhou para o chão. - Mas creio que você não saiba qual é a sensação de ter uma arma apontada para sua cabeça - o homem soltou um breve suspiro.
 - Ah, eu sei. Sei muito bem! - Ely proferia cada palavra com extrema raiva.
 - Sabe, você parece ser forte. É o que sua personalidade me diz.
 - Sério? Minha personalidade gostaria muito de dar um belo chute nas suas bolas também!
 O homem riu. Ely não sabia como, mas mesmo com tanto ódio que sentia dele, gostou de sua risada - uma risada acalmante, como uma leve brisa de outono. 
 - Sabe, eu tentei ajudar todos, mas eram muito burros. Nenhum deles acreditou em mim - disse o homem, que agora encarava Ely profundamente, e ela devolvia seu olhar firmemente para aqueles olhos negros. 
 - Eles quem? - Ely perguntou, agora com um tom confuso na voz. 
 - Os outros que esses babacas prenderam. Sabe, eu não sou assim. Eu tenho que fazer o que eles mandam, ou eles me matam, e eu quero sobreviver. Em dias como esse, a gente sobrevive como pode, não é? - ele suspirou novamente, agora fora um longo suspiro. Olhou para o teto e tornou a falar. - Os outros prisioneiros estavam muito assustados para entender. Eu tentava dizer que queria fugir, que não era como eles, mas eles nunca entendiam. O pânico estampava a expressão deles. Não prestavam atenção no que eu dizia, e tentavam me chutar.
 Ely ficara pensativa, contemplando o chão sujo do porão. 
 - Você deve estar se perguntando por que eu ainda não fugi? - ele perguntou, olhando para ela.
 Era como se o homem tivesse adivinhado seus pensamentos, então ela confirmou:
 - Sim, era exatamente isso que eu estava pensando. 
 - Bem, eles sabem que meu maior desejo é fugir daqui. Eles me acham forte, então não querem que eu fuja. Sou como uma arma para eles, sabe? Então, para que eu não fuja, eles ficam de olho em mim todos os dias e todas as noites, até na hora de dormir. Sim, eu durmo com uma arma apontada para minha cabeça. Aposto que você não passa por isso, não é?
 - Você acha que eu estou acreditando em cada palavra que você diz? - Ely debochou. - Por favor, seja menos idiota.
 - Realmente, eu acho que você não esta acreditando. Bom, em caso de dúvidas, eu tenho uma ideia para finalmente sair daqui, apenas basta você querer. 
 Ely o encarou, como se buscasse a sinceridade em seu olhar. Na verdade, fugir, é claro, era o que ela realmente queria. Poderia voltar para o grupo. Poderia voltar para Joseph. Depois de tais pensamentos, ela respondeu:
 - Okay. Vamos ver se você é realmente capaz de nos tirar daqui.
 O homem sorriu, e logo falou: 
 - Tudo bem. Agora eu só preciso que você coma. Não precisa ter medo, é comestível. E também quero que você durma. Precisaremos de muita energia, okay?
 - Tá. 
 Ele se levantou, e sem olhar para atrás, atravessou a porta e deixou Ely sozinha com seus pensamentos. 
 A sopa não estava tão ruim, pensava ela. Claro que, isso era só um detalhe que estava perdido em seus pensamentos, existia muito mais no que pensar. Cada colherada parecia uma benção - estava com muita fome - . Depois de acabar a sopa, ela deitou-se no chão frio e nada confortável, é claro, mas só precisava passar essa noite naquele lugar. Ela precisava sair dali. Depois de certo tempo, chegara o sono e, naturalmente, lembranças do passado invadiram sua mente. 

Um comentário:

  1. ameeeei o estilo deele! tomara q ele e a ely se deem bem!!!!!!!

    ResponderExcluir