Megan, uma mulher de vinte e dois anos - que Ely já conversara algumas vezes - , vomitou em um canto do mercado. Não aguentara a cena forte. Zoe murmurou com desgosto. Jonathan foi escorregando pela parede até sentar-se no chão, colocando a garrafa quebrada ao seu lado, sussurrando algo que, para Ely, parecera ter sido um "não acredito", provavelmente desapontado com a própria covardia.
- Bom, pelo menos me poupou um trabalho - Tony disse, olhando para o corpo inerte da mulher que jazia no chão.
- Você é um babaca, nojento e arrogante - disse Zoe lentamente, com uma séria expressão. Zoe era uma das poucas que já vira muitos infectados de onde viera. Era o que Ely pensava: "por que existem tantos infectados pelo mundo e mal os vemos atualmente? Talvez a infecção não tenha se espalhado tanto e as pessoas estejam seguras em outras cidades". No início da epidemia, Ely testemunhou um grande número indecifrável de infectados pelas ruas, chorando com as cabeças baixas, gritando e correndo. Ely mal notara suas características. Eles moviam-se rapidamente, estavam sempre perturbados e apresentavam tamanha insanidade. Há quatro meses, os infectados começaram a desaparecerem lentamente, mas todos sabiam que tinham de ficarem atentos, caso houvesse um ataque surpresa.
Depois de minutos que, para Ely pareceram horas, Zoe concluiu:
- Ela, pelo que já vi, é uma recém infectada. Não me surpreende que estivesse com as mãos sobre o queixo. Nunca entendi isso.
Ely lembrou-se subitamente - como um flash de memória - , sobre o que Zoe dissera - os recém infectados sempre possuíam as mãos sobre o queixo. Tony interrompeu o devaneio de Ely que, de um salto, voltou ao mundo real.
- Vamos esquecer o que aconteceu aqui. Estão de acordo? - perguntou Tony e, rapidamente, todos concordaram. Ele ainda contemplava a mulher morta.
Zoe murmurou algo que parecia ser um "insensível".
- Então - Tony continuou - , Lewis, você vai me ajudar a levar essa maluca morta para a rua e tocar fogo nela. Os outros... podem arrumar um canto qualquer para passarem a noite aqui e, amanhã, vamos fazer a limpa no que sobrou desse lugar que possa ser útil.
Ely - assim como Zoe, que possuía um expressão incrédula - , não conseguia acreditar no que Tony dissera. Ela ficou boquiaberta com a frieza e calma de Tony diante àquela situação. Porém, sem nada para fazer, retirou um pequeno cobertor da mochila e acomodou-se em um dos cantos do mercado. Ela olhava por uma parte faltando do teto - um lindo céu estrelado, uma das poucas boas paisagens nos dias atuais. Estava escurecendo rapidamente, Ely percebeu. Logo ela estava em um profundo devaneio, como uma máquina do tempo viajando ao passado.

Bruna,só uma pergunta, e a idade de cada um ??
ResponderExcluirOi! No primeiro capítulo informa que a Ely tem dezessete anos, o Joseph tem a mesma idade, nos próximos "Memórias de Ely" eu vou informar isso.
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